Arquivo da categoria ‘Uncategorized’

O design do dragão

Agosto 28, 2008

por Lígia Fascioni

Quando estava escrevendo a minha tese, lembro de ter lido um artigo de um filósofo alemão contemporâneo, Wolfgang Welsch, onde ele dizia que “(..) assim como o século XX foi o século da arte, o século XXI será o século do design”. Fiquei impressionada com a frase desse estudioso da estética, e cheguei mesmo a trocar alguns e-mails a respeito. E cada vez mais me convenço de que ele está pleno de razão.

Com esse papo todo das Olimpíadas em Pequim, acabei me lembrando do 7o Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, que aconteceu em Curitiba, em 2006. Fui apresentar um artigo e saber em que pé está o estado-da-arte do design nesse país. Conheci muita gente, revi colegas, assisti a palestras, conferências e apresentações. Alguns dos maiores autores do design estiveram lá, como o alemão Bernhard Bürdek. Trabalhos inéditos foram lançados, pesquisas criativas foram apresentadas, mas o que mais me impressionou mesmo foi a apresentação da professora Wan-Ru Chou, do Departamento de Design Industrial da Shih Chien University, de Taipei, Taiwan.

A primeira informação impactante foi que o número de cursos superiores de design na China cresceu assombrosos 2000% desde 1980 (em 2006 eram cerca de 400 escolas — hoje deve ter crescido mais ainda). O dragão já se deu conta de que esse é um requisito imprescindível para continuar no mercado, mesmo porque o trabalho escravo praticado lá não deve se sustentar por muito mais tempo. Por mais selvagem que seja o capitalismo, as consciências dos consumidores começam a incomodar (que o diga a Nike, cujas ações se desvalorizaram em 50% quando descobriu-se que a empresa utilizava mão-de-obra infantil, em 1995).

A simpática Wan-Ru Chou (e, cabe ressaltar, com um inglês competentíssimo) mostrou como os chineses fazem a lição de casa. Todo mundo sabe que o design é um curso multidisciplinar, mas a coisa aqui sempre fica só no discurso. Lá, eles levam a prática a sério: há festas regulares em prédios especialmente construídos, onde estudantes de design, engenharia, arquitetura, moda e comunicação se reúnem em baladas performáticas onde todo mundo mostra seus talentos menos ortodoxos. Rolam concursos de trajes e a decoração é toda temática.

E a criatividade vai ainda mais além em um concurso de artefatos móveis. É assim: cada aluno (ou equipe) precisa construir um protótipo de uma geringonça que consiga transportar uma pessoa por um circuito de 10 metros de comprimento que inclui uma discreta inclinação. A engenhoca pode ser movida a qualquer tipo de propulsão, desde mãos nervosas até discos excêntricos. Como o objetivo é desenvolver a criatividade, não há preocupação com a viabilidade técnica ou de produção em escala. Basta que o percurso de 10 metros seja concluído (mesmo que com sobressaltos; houve até protótipos que se desintegraram devido ao esforço). Divertido, integrador, original, poderoso.

Mostrou-se também outras práticas de dar inveja em qualquer estudante brasileiro: intercâmbio com universidades do mundo inteiro; workshops com designers-referência em suas áreas; laboratórios equipadíssimos.

É. A China não está aí para brincadeira. Tudo indica que o país do futuro é o deles, não o nosso. Pois, como diz o conhecido consultor americano Rodney Fish, “somente uma empresa pode ser a mais barata. As outras terão que usar o design”.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

retirado de: http://design.com.br/blog/o-design-do-dragao/#more-1191

O design da bagunça

Agosto 28, 2008

O design da bagunça
por Lígia Fascioni

Estou escrevendo alguns artigos para um congresso e resolvi estudar os currículos dos cursos de design oferecidos no país, incluindo suas diversas habilitações. Não é difícil; exceto por algumas poucas faculdades, todos divulgam em seus sites a estrutura curricular (nota: no meio da navegação, achei por acaso uma escola de administração que esconde a grade de disciplinas com medo de ser copiada. Surreal? Inacreditável? E a escola é daqui mesmo…).

Ainda que as habilitações sejam diversas (moda, produto, gráfico, webdesign, editorial, mobiliário, mídias eletrônicas, jóias, etc), fiquei pasma com a diversidade de currículos. Não há nem mesmo uma grade básica de conhecimentos que todos precisem aprender. Para se ter uma idéia, menos de 30% dos 235 cursos de graduação em design oferecidos no Brasil contam com a disciplina gestão do design. Em cursos de design de produto, por exemplo, não encontrei dois com mais de 50% de disciplinas comuns a ambos (excetos os oferecidos pela mesma rede de faculdades).

Isso me leva a lamentar um fato que acabei sabendo no decorrer da pesquisa: uma faculdade de design instalada em Joinville teve recentemente suas portas fechadas (só descobri perguntando para um amigo que mora e trabalha lá, pois o site simplesmente saiu do ar sem dar maiores satisfações). Pois ele me contou que os alunos pêgos de surpresa no penúltimo semestre, ao tentarem concluir o curso em outra faculdade, tiveram uma notícia desagradável: descobriram que teriam que cursar mais três anos para alinhar as disciplinas. Não é revoltante? Como é os currículos podem ser tão diversos em um mesmo curso, na mesma habilitação, na mesma cidade?

Imagino que algum tipo de variação aconteça na maioria das graduações e com dentistas e advogados não seja diferente. Ainda que engenheiros possam sofrer com mudanças de currículos, todas as habilitações, sem exceção, precisam estudar cálculo integral e física, por exemplo, além de álgebra e mecânica dos fluidos. É básico. Por que é que nos cursos de design não acontece assim também?

Dá impressão que cada faculdade escolhe o que gosta mais ou o que acha mais interessante e manda ver. Se o curso explodir, paciência, os alunos que paguem. É claro que não deve ser assim, tenho certeza de que há um trabalho sério que fundamenta cada escolha, senão o MEC não iria aprovar, mas talvez as diretivas sejam excessivamente genéricas. Também não dá para dizer que um curso seja melhor que outro apenas olhando as disciplinas – há muita gente séria tentando fazer o melhor que pode. Mas como conviver com tantas e tão gritantes diferenças em formações que deveriam ter muito mais pontos em comum?

O preocupante é que você não sabe se o designer que está contratando conhece gestalt ou semiótica, já que nem todos os currículos incluem esses tópicos. Há cursos onde não se estuda nem mesmo teoria das cores.

Que fique bem claro que não estou defendendo que os currículos sejam engessados; há que se respeitar as necessidades e a realidade de cada região, de cada mercado, da intenção e dos objetivos de cada projeto pedagógico. Mesmo assim, não faz sentido que duas habilitações com o mesmo nome, ambas autorizadas pelo MEC, tenham mais de seis semestres de disciplinas diferentes em seus currículos, concorda?

Eis aí uma boa questão para os profissionais de design se debruçarem. Como regulamentar uma profissão tão heterogênea na formação de seus profissionais? Como organizar essa bagunça sem nivelar por baixo e nem prejudicar os estudantes?

A questão está lançada…

(fonte: http://www.acontecendoaqui.com.br/index.asp?dep=16&colunista=12&pg=12036)

Design

Agosto 27, 2008

designar
do Lat. designare
v. tr.,
indicar;
mostrar;
apontar;
escolher, nomear;
qualificar;
assinalar.

de•sign [di-zahyn]
–verb
.to prepare the preliminary sketch or the plans for (a work to be executed), esp. to plan the form and structure of:
. to make drawings, preliminary sketches, or plans.
.to plan and fashion the form and structure of an object, work of art, decorative scheme, etc.

de•sign (dĭ-zīn’)
v. de•signed, de•sign•ing, de•signs
1.

a. To conceive or fashion in the mind; invent;
b. To formulate a plan for;

2. To plan out in systematic, usually graphic form;
3. To create or contrive for a particular purpose or effect;
4. To have as a goal or purpose; intend;
5. To create or execute in an artistic or highly skilled manner.


ESTUDANTE, DESIGNE A SUA EDUCAÇÃO

Sobre o Projeto Megafônicas

Agosto 27, 2008

Nascido da necessidade de aumentar a comunicação e a integração dos estudantes de Design soteropolitanos, o Sistema Megafônicas, desenvolvido pela então graduanda da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Erica Ribeiro, se tornou um evento consagrado no espaço estudantil baiano. Baseado nos Círculos de Cultura do educador pernambucano Paulo Freire, o sistema foi aprimorado ao longo das 3 edições, sempre priorizando a horizontalidade e a integração dos participantes, envolvendo-os numa dinâmica de discussão produtiva e relacionada diretamente com o conhecimento pessoal dos estudantes, professores e profissionais, que se estende ao conhecimento adquirido na academia.

O Megafônicas é constituído por mesas redondas simultâneas que, através de uma rotina de rodadas, permite que os participantes discutam sobre diversos assuntos, sempre com um grupo diferente da mesa anterior e assim com referências diferentes, promovendo a construção de conhecimento de forma plural e dinâmica, integrando as mais diferentes classes sociais, étnicas e políticas, num mesmo espaço de debate. As mesas são mediadas sempre por um ou uma estudante e registradas por um relator ou relatora, participante chave responsável pela compilação das informações e tópicos centrais da discussão, para uma futura publicação e assim disseminar o resultado do evento para ampliar os efeitos da discussão.

Megafônicas by Erica Ribeiro de Andrade is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Permissions beyond the scope of this license may be available at http://megafonicas.wordpress.com/

Documentário: A folha que sobrou do Caderno

Agosto 26, 2008

A folha que sobrou do caderno com roteiro, câmera, edição e direção de Alexandre Czajkowski, Mauro Alex Rego e Gabriel Costa Rodrigues.

Todos os anos uma leva de designers se forma nos quatro cantos do Brasil e uma pergunta inquietante não quer calar: estarão esses futuros profissionais sendo preparados para enfrentar as múltiplas realidades do nosso país? Existiria uma estrutura de curso ideal para formar os profissionais de design adequados à nossa realidade? A quem interessa manter um formato de ensino ultrapassado e ineficiente? Você já parou para pensar em seu papel diante disso tudo? “A folha que sobrou do caderno” é um instigante documentário resultante de uma inquietação pessoal em congruência com uma preocupação coletiva: precisamos discutir e reformar o ensino de design no Brasil. São colocadas opiniões sobre modelos ideais de cursos e o papel que professores e estudantes desempenhariam nesses modelos, bem como discussão sobre formação tecnológica e teórica. A estrutura atual do ensino, questionamentos sobre pesquisa e atualização tanto por parte dos professores como dos estudantes também são abordados. A organização estudantil como transformadora da realidade e o Movimento Estudantil fornecem o fechamento das discussões. Em “A folha que sobrou do caderno”, História, depoimentos e atitudes são os principais ingredientes para alcançar a maior proposta do filme: PROVOCAR.

update: 01/09/08 – legendas do vídeo corrigidas